SEPARAÇÃO DE CASAL COM FILHOS, por Elizabeth Monteiro (04/09/14)

SEPARAÇÃO DE CASAL COM FILHOS, por Elizabeth Monteiro (04/09/14)

A imensa maioria das pessoas não casam pensando em se separar.. Mas, infelizmente, muitas vezes essa é a melhor opção para o casal. E todos têm o direito de 'recomeçar' suas vidas.

Mas, e quando esse casal tem filhos pequenos? Como poupar ao máximo os pequenos?? Como fazer entender que a separaçáo é entre o casal, e isso não vai afetar a relação pais/filhos? Como agir (e reagir!) para mostrar a essas crianças que O CASAMENTO ACABA, A FAMILIA CONTINUA? De uma maneira difente, com uma nova composição, mas continua.


Eu conversei com a psicóloga e pedagoga ELIZABETH MONTEIRO, a fim de saber a melhor maneira de lidar com essa difícil questão.

 Beth, que é colunista da revista "Pais e Filhos" e também já escreveu diversos livros sobre relações familiares (veja abaixo), dá preciosos conselhos para as famílias que atravessam essa situação tão delicada.


Veja a entrevista abaixo.


1-) A maioria das pessoas deseja vivenciar o modelo da familia tradicional, mas, infelizmente, e pelos mais diversos motivos, muitas vezes a separaçao do casal é inevitável. Em que momentos os pais devem contar isso ao filho?

R: Penso que o momento de contar ao filho que o casal decidiu se separar, deve acontecer logo em seguida à decisão. Muitos pais não sabem, ou não querem enxergar o fato de  ser comum a criança já saber ou intuir esse final. Portanto, a não confirmação dessa percepção do filho passa a lhe gerar mais angústia.


2-) Existe uma "melhor maneira" para explicar a uma criança que a separação é do casal, relacionamento homem e mulher, e não do pai / mae com o filho?

R:  A verdade é sempre a melhor maneira de falar sobre a separação. O casal deve se reunir com os filhos, ou com filho e lhe dizer o que acontece (sempre respeitando o nível do desenvolvimento do filho). 

Exemplo:

- "Filho (a), você tem visto que mamãe e papai estão discutindo muito.

Apesar de nós nos gostarmos e de gostarmos muito de você, tem coisas que mamãe e papai não conseguem entender e lidar. Os adultos são um pouco complicados. Nós achamos que é muito ruim viver brigando. Então, para todos sermos mais alegres, decidimos que é melhor mamãe e papai morarem em casas diferentes. Você sempre será o nosso filho amado e sempre seremos o seu papai e a sua mamãe. A única coisa que mudará é que moraremos separados. Você poderá estar sempre com a gente." (Que bom seria se os casais conseguissem isso!).


3-) Essa transição tem melhores resultados sendo de forma progressiva ("estamos conversando", 'papai vai ficar um tempo em outro quarto, depois em outra casa", "e agora decidimos pelo divorcio") ou de forma direta?

R: Penso que a melhor maneira de se falar é diretamente, deixando sempre espaços para se voltar ao assunto. A forma progressiva só pode aumentar a angústia do filho. É sempre bom lembrar que não existe separação sem dor.


4-) Na maior parte das vezes, a separação física dos pais acontece após uma separacao emocional, quando é possível que a criança um pouco maior já perceba que "algo nao vai bem".. 

Tendo em vista sua experiencia clínica, na sua opiniao, convem que os pais esperem o filho ter determinada idade para lidar melhor com a situação, para então, decidirem pela separação?

R: Eu penso que a separação deve ser a última alternativa do casal. Antes é preciso passar por uma terapia de casal, até  para que a separação seja bem feita e ambos possam reconstruir as suas vidas. 

Se existe uma idade certa para a separação? Penso que não. Na verdade, não é a separação em si, que gera conflitos nos filhos, mas a forma como este casal vive e a forma como ele se separa.


5-) De maneira geral, como as crianças lidam com o divórcio dos pais, nas diferentes fases da vida?

R: Dos 0 aos 2 anos a criança ainda está muito conectada à mãe.

Dos 2 aos 6, ela inclui o pai na relação e busca nele o seu modelo de homem. 

Dos 7 aos 10 ela se liga aos amigos.

Portanto, se formos levar em conta estas etapas, seria mais prejudicial uma separação entre os 2 e os 6 anos. Porém não conheço ninguém, até mesmo adulto, que não tenha sofrido com a separação dos seus pais. Sempre aparecem "buracos" em seu desenvolvimento afetivo e emocional.


6-) Em que momento a escola precisa ser avisada em relação a nova situação da família?

R: A escola precisa ser avisada no momento em que a vida a dois começa a ficar insuportável.


7-) Na sua opiniao, os acordos judiciais em relação a visitaçáo dos filhos pelo responsável que não detem a guarda não pode gerar uma certa rigidez, que prejudica a naturalidade de uma relacao? (Por ex, hoje, é sexta e Pedrinho gostaria de ir ao cinema com o pai, mas o dia de visita dele é sab.)

Ou a importancia da rotina na vida da crianca supera essa dificuldade?

R: Muitos acordos geram conflitos, assim como a falta destes. O importante está em se cumprir os acordos. Se a rotina respeita os acordos, tudo fica mais fácil.


8-)  E quando, ao contrario, aquele que náo mora com a criança, não cumpre com seu compromisso a Visitação, e vai se afastando do filho? O que o outro genitor pode fazer diante do sofrimento do menor?

R: Quando um genitor se afasta, o outro não deve suprir este papel, e nem destruir a imagem que o filho tem deste genitor. Precisa fazer o filho procurar o pai ou a mãe se assim ele o desejar. Contribuir para que a criança tenha contato com ele.

 Se mesmo assim, a pessoa continuar sendo ausente, apenas deve-se explicar que esse genitor é ocupado, que viaja, etc.... 

Deve-se deixar que o filho conheça esse genitor do jeito que ele é. E isso ele fará com a maturidade.


9-) Existem tb casos, onde ambos cumprem essa nova rotina familiar da melhor maneira possivel, sao afetuosos com a prole, MAS, o responsavel pela pensao alimenticia não honra esse compromisso, dando o direito a outra parte reclamar esse direito judicialmente. È possível poupar o filho? É o melhor a se fazer? Como proceder nesse caso?

R:  Falta de pagamento de pensão ou quaisquer outros problemas que surjam, devem ser resolvidos entre o casal e a justiça. O filho não pode servir de instrumento de troca. Deve ser poupado a todo o custo.


10-) O que a sra pensa sobre a guarda compartilhada levando em conta os sentimentos da criança?

R: Guarda compartilhada deve ser respeitada. Se a criança tem algum sentimento ou ressentimento contra algum dos genitores, ela deve ter a oportunidade de colocar isto a eles e  resolver com eles a questão problema.  Não gosto quando um dos genitores interfere no vínculo da criança com o seu pai ou a sua mãe.


11-) Já existem inumeras dificildades em uma separaçáo amigável, decidida em comum acordo entre os adultos... MAS, existem ainda aqueles casos nos quais apenas 1 parte deseja o divorcio e a outra parte não se conforma, e começa a inflar o filho contra o ex. Segundo a APASE (Associação de Pais e Mães Separados) essa alienação parental atinge cerca de 80% dos filhos de pais separados! Como o adulto vítima dessa prática pode reagir a isso, tentando sempre proteger a crianca?

R:  A alienação parental é o que mais destrói um filho de pais separados, seja em qualquer idade. O adulto, em nenhum momento pensa no filho, mas somente em destruir o ex parceiro (a). Tratam-se de pessoas mesquinhas e ignorantes. A melhor maneira de poupar a criança é a evolução espiritual dessa pessoa. 

Poupar o filho é demonstração do amor incondicional.


11-) É possível, em linhas gerais, quantificar o tempo que o filho precisa para superar o divórcio dos pais?

R:  Em geral um processo de luto, seja por morte ou separação demora por volta de dois anos para ser elaborado, mas isso é muito relativo. Como já citei anteriormente, conheço adultos e idosos que nunca conseguiram superar a separação dos pais. Isso depende muito da forma como esta separação é feita e da forma como o casal se relaciona depois.


12-) Li certa vez que "o pai é o 1º amor de sua filha e o 1º grande herói de seu filho". A separação dos pais na infancia da criança acarreta consequencias diferentes no tocante a ser essa criança do sexo feminino ou masculino? Existe maior prejuizo em decorrencia do sexo da criança?

R: Os prejuízos independem da idade e do sexo. Variam na forma e na intensidade.


13-) Em seu livro "Cadê pai dessa criança", a sra diz que atualmente os homens estão perdidos na função de pai. Geralmente, essa situação tende a se agravar ou amenizar com uma separação? 

R: Alguns pais ausentes melhoram com a separação. Isso é muito comum. Às vezes  quem provoca a ausência do pai  é a mãe ou a família.


14-) Que sinais levam a crer que a criança precisa de ajuda profissional para encarar esse processo? A partir de qual idade é possível contar com uma ajuda psicológica para tratar desse tema?

R:  A partir do momento em que o casal começa a viver grandes desentendimentos e conflitos, é importante que se busque uma ajuda profissional.


15-) Espaço para suas considerações finais

R: Nada justifica a ausência de um dos genitores, por pior que seja a pessoa escolhida para ser o pai ou a mãe da criança. E nada justifica a alienação parental. Ninguém tem o direito de destruir a imagem das pessoas que a criança gosta.




ELIZABETH MONTEIRO

Psicóloga, Pedagoga, Escritora, Colunista da Revista Pais&Filhos

www.elizabethmonteiro.com.br

www.facebook/MonteiroBetty

Isntagram: @bettymonteiropsicologia 


Livros:

'Criando Filhos em Tempos Difíceis',

 'Criando Adolescentes em Tempos Difíceis',

'A Culpa é da Mãe',

 'Cadê o Pai dessa Criança', 

'Avós e sogras -  Dilemas e Delícias da Vida Familiar' 

(Todos pelo Grupo Summus Editorial)





Tópico: SEPARAÇÃO DE CASAL COM FILHOS, por Elizabeth Monteiro (04/09/14)

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