Não ofereça alimentos ao meu filho, por gentileza! (19/02/15)

Bom, quero começar esse post afirmando que ele NÃO É UMA INDIRETA A VOCÊ, nem a ninguém. Pelo contrário é uma direta a todos.

Tenho um baby de 2 aninhos que come praticamente todos os tipos de alimentos. Aceita experimentar novos pratos e come super bem, graças a Deus... e graças também a esforço, paciência e dedicação dos envolvidos nesse processo.

Quando vamos ao supermercado, ao inves de ele me pedir um pacote de batatinhas ou bolacha de chocolate, por ex, ele quer comer maça, banana, e, principalmente, tomate - sem nenhum salzinho! 

Ja vou consciente de que vou ter que achar uma torneira para lavar as frutinhas.


Isso seria impensável para mim, levando em conta o MEU histórico alimentar. Eu sou daquelas que tem que se policiar para incluir uma fruta no cardapio da semana, que gosta de verduras e legumes, mas morre de preguiça de prepara-los, entao troco facilmente por uma lasanha congelada. 


Só que eu sou de outra geração. Década de 80, quando os pais não tinham tanto acesso às informações como hoje em dia. Eu - que dei um super trabalho pra comer - fui apresentada ao combo "arroz, linguicinha acebolada (frita!) e tomate (ok, um ponto em comum com o filhote!)" muito cedo. Era melhor eu comer isso do que nao comer nada, certo? Para aquela época, era. 

Óbvio que não era desleixo da minha mãe, que é uma super mãe. Mas era tudo diferente. Ate hoje, sei que tem muitas mães que sofrem com filhos que se recusam a comer e, entao, em uma atitude extrema, apelam para aqueles alimentos que qualquer criança vai gostar: batata frita, danoninho, cachorro quente, hamburguer, etc.


Aqui em casa, Henrique tem aceitado bem os mais diversos alimentos.

Consciente de que o PALADAR é construído na primeira infância, procuro apresentar alimentos saudáveis ao meu pequeno, afinal sei que os dois primeiros anos de vida são cruciais para desencolver bons hábitos alimentares. 


"Quando a criança está com dois ou três anos de idade, por exemplo, começam a surgir as preferências e as rejeições alimentares. Esse comportamento infantil, porém, não indica a maturidade do paladar. É a dura fase da seletividade alimentar, que costuma desaparecer por volta dos sete ou oito anos. Pesquisas indicam que as papilas gustativas infantis estão sensibilizadas lá pelos dez anos de idade". (Revista Crescer)


 E confesso que eu também tenho ingerido alimentos de melhor qualidade nutricional, pois tudo que comemos perto dele, ele quer provar. Como posso comer um chocolate e oferecer a ele uma maça?!


"Como parte da formação do paladar vem do aprendizado, os pais têm papel fundamental. Ninguém oferece a uma criança um alimento de que não goste. Se, desde pequenos, os filhos têm uma alimentação saudável, com pouca gordura, pouco sal, que privilegia produtos naturais, eles vão crescer aprendendo a apreciar aqueles pratos. Vão rejeitar o refrigerante nas festinhas e as frituras na escola, porque, para eles, gostosos serão os sucos, as saladas, as frutas. Não adianta, porém, querer que o filho coma manga se a mãe não gosta da fruta: a criança aprende mais observando o comportamento dos pais do que ouvindo o que eles falam". (Revista Crescer)


Claro que não sou extremamente radical. Ja fomos a aniversários infantis, e ofereci bolo de chocolate, coxinha, enfim, o que as outras crianças estavam comendo. Nao vou deixá-lo passar vontade! A surpresa? Na maioria das vezes, ele provou e nao gostou. 


Mas comecei o post dizendo nao se tratar de indireta pelo seguinte motivo: algumas pessoas de fora da casa, especialmente amigos e familiares queridos, que não acompanham esse esforço diário na busca pelo desenvolvimento do paladar do seu / sua baby tendem a relacionar comida gostosa a carinho e já chegam oferecendo bolachinhas, chocolates, refrigerantes, batatas fritas, sem nem nos pedir autorização. E qdo a gente diz NÃO, somos tachadas de frescas, autoritarias, e por aí vai.

Sei que elas não fazem por mal. Mas... se elas nao fazem, NÓS, MÃES, faríamos???


Um exemplo super positivo tive certa vez que dui abastecer o carro. Meu filho tagarela estava na cadeirinha dele, e desandou a conversar com o frentista. Esse, claro, se encantou com o pequeno e na hora de cobrar o combustível, trouxe escondido em sua mão um pirulito, mostrou apenas para mim e perguntou se poderia oferecer a ele... Eu agradeci de coração, mas recusei. Ele, que também tinha uma criança, disse entender perfeitamente. Sem rancor, sem melindres. 


Então sugiro que usem esse comportamento como exemplo e peço para nao oferecerem alimentos ao meu filho sem antes perguntarem para mim, e recomendo que façam isso com as mães de outras crianças tão pequenas.

Pode ser difícil parabocê acreditar, mas eles NÃO PRECISAM DE CHOCOLATE agora.


"Açúcar e gordura viciam. O sabor doce libera em nosso sistema nervoso central sensações de prazer, o que acaba criando dependência emocional a certos alimentos. Por isso, há uma regra que deveria ser seguida à risca pelos adultos: adiar a introdução do açúcar na alimentação dos pequenos. Enquanto não provar o sabor doce, a criança não terá parâmetro de comparação e não sentirá falta dele. Pense nisso antes de liberar geral as guloseimas, especialmente as industrializadas, repletas não apenas de açúcar e gordura, mas também de aditivos como aromatizantes, corantes e conservantes.", explica a nutricionista Marcella Melo, para Revista Crescer.


Tenho uma criança próxima a mim que estava com colesterol alto aos 8 anos de idade, e precisou frequentar um endocrinologista para cuidar dessa questão! 


Também tem a obesidade infantil que é uma realidade. Eu lutei muito contra a balança na pré-adolescencia e não quero que meu filho passe por isso. 

E não é apenas uma questão de estética. "A obesidade infantil é um problema de saúde pública. Quase metade (47,6%) das crianças brasileiras de 5 a 9 anos tem obesidade ou sobrepeso, de acordo com dados do IBGE." (Revista Veja)


"De acordo com os médicos, em praticamente 100% dos casos, os culpados pela obesidade infantil são os pais. Afinal, o ambiente familiar determina o comportamento do filho até a idade adulta. Será mais difícil uma criança ter um estilo de vida saudável se ela tem pais sedentários que comem junk food", diz Luiz Vicente Berti, endocrinologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, em São Paulo. 


Além de tudo isso, vocé jå imaginou que saia justa oferecer um alimento à uma criança e ela não poder ingerir por ter uma alergia alimentar ou algum outro tipo de restrição?! 


Então, minha gente, vamos ter bom-senso e antes de oferecer qualquer tipo de alimento para o filho de outra pessoa, pergunte aos responsaveis por ela, se eles autorizam. Não pense que seu oferecimento é uma exceção: "uma batata frita, só hoje, não tem problema"... Mal sabem que ouvimos isso quase todos os dias... E exceção diária se chama rotina.


Fontes:

https://veja.abril.com.br/noticia/saude/cinco-maneiras-de-combater-a-obesidade-infantil

https://drauziovarella.com.br/crianca-2/obesidade-infantil/

https://revistacrescer.globo.com/Colherada-Boa/noticia/2013/10/construcao-do-paladar-das-criancas.html

https://mothernholic.blogspot.com.br/2009/11/como-o-paladar-infantil-se-desenvolve.html

https://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI2290-10591,00.html


Tópico: Não ofereça alimentos ao meu filho, por gentileza! (19/02/15)

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